Aspectos Culturais da Baixa Produtividade - Engenheiro Líder

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Aspectos Culturais da Baixa Produtividade - Gestão

O termo produtividade é muitas vezes mal interpretado devido a algumas características históricas e culturais arraigadas na nossa sociedade. Muitos associam essa palavra a pensamentos de exploração, precarização da mão de obra, ganância e desonestidade, contudo a produtividade vai além desses pensamentos errôneos.

A produtividade é primordial para o desenvolvimento da sociedade, não teríamos alimentos, moradias, medicamentos ou qualquer desenvolvimento social sem ela. Talvez seja difícil conceber que um sistema baseado na competição, ambição e individualismo seja capaz de gerar desenvolvimento e uma melhor qualidade de vida quando é aplicado não a um individuo, mas ao conjunto deles, ou seja, a sociedade.

Necessitamos criar nos nossos liderados a cultura da produtividade e mostrar sua importância para a sociedade. É através da produtividade e da competição que vamos gerar produtos melhores e mais baratos, e também inovação e oportunidades de ascensão social.

Muitos ficam estagnados na improdutividade por achar injusta a proporção entre seu trabalho e sua remuneração, todavia a remuneração e os resultados exigidos pelas organizações para quais trabalhamos são justos se pensarmos nos investimentos, riscos e responsabilidades assumidas por estas. Se essa explicação simples e direta não o convenceu e ainda acredita que o sistema é injusto, recomendo estudar sobre o assunto e conhecer a trajetória dos sistemas políticos e econômicos ao longo da história e então poderá constatar por si próprio que o sistema democrático capitalista não é o ideal, mas é o melhor que inventaram até agora.

Podemos dividir a produtividade em macroestruturas, aquelas que são resolvidas em médio e longo prazo, como por exemplo:Educação, Infraestrutura no transporte e energia, flexibilização para contratação dos trabalhadores, menos burocracia da máquina pública, etc.

Existem, porém, situações no dia a dia das organizações que podem ser resolvidas por nós mesmos, mas muitas vezes não as resolvemos devido a uma burocracia que está ligada ao nosso comportamento, e é nisso que devemos trabalhar de modo a modifica-los.


3.1.1 – Burocracia

“No trabalho não buscamos senão a própria satisfação, ele tem o seu fim em nós mesmos e não na obra: um finis operantes, não um finis operis. As atividades profissionais são, aqui, meros acidentes na vida dos indivíduos, ao oposto do que sucede entre outros povos, onde as próprias palavras que indicam semelhantes atividades podem adquirir acento quase religioso.” – Sérgio Buarque de Holanda- Raízes do Brasil (1902 – 1982)

O processo burocrático foi idealizado por Max Webber Economista, sociólogo 1864 – 1920. Como uma forma de estruturar as atividades dentro das organizações de modo a haver profissionais qualificados que executa as atividades administrativas de modo ordenado e organizado, com o passar dos anos a burocracia tornou-se uma forma de representar aquilo que se torna moroso, lento, complexo e que dificulta ou mesmo impede o processo produtivo, culturalmente estabelecido nas organizações, esta tem origem quando os profissionais se dedicam a seguir normas e procedimentos mesmo que estes sejam prejudiciais as organizações, ou ficam criando procedimentos que beneficiam seus trabalhos em detrimento das organizações.


3.1.2 – Título de Nobreza

“Numa sociedade como a nossa, em que certas virtudes senhorais ainda merecem largo crédito, as qualidade do espírito, substituem, não raro, os títulos honoríficos, e alguns dos ser distintivos materiais, como o anel de grau e a carta de bacharel, podem equivaler a autênticos brasões de nobreza. Aliás, o exercício dessas qualidade que ocupam a inteligência sem ocupar os braços tinha sido expressamente considerado, já em outras épocas, como pertinente aos homens nobres e livres, de onde, segundo parece, o nome de liberais dado a determinadas artes, e, oposição às mecânicas, que pertencem às classes servis.” Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil (1902 – 1982)

“Mas poderia ser de outro jeito numa sociedade em que até outro dia havia escravos e onde as pessoas decentes não saíam à rua nem podiam trabalhar com as mãos?.” Roberto da Matta – O que faz o Brasil, Brasil?

O titulo de Engenheiro, Gerente e Supervisor são como honrarias. Nossa sociedade, marcada pela tradição escravocrata, deixou a cultura de que o trabalho que não seja relacionado ao nosso “título de nobreza” é degradante e por isso sempre precisamos de auxiliares, ajudantes e estagiários para realização de trabalhos que julgamos não nobres mas que deveriam sim fazer parte da nossa rotina de atividades. Essa atitude ocorre também na base da pirâmide operacional, veja o exemplo de algumas profissões que sempre impõem a necessidade de um “ajudante”. É muito comum Pedreiros, Soldadores, Operadores “necessitarem” de um ajudante para as tarefas como limpeza, preparação da máquina e outros trabalhos menores, e mesmo que sejam fornecidos ferramentas, equipamentos ou técnicas para substituição dos auxiliares esses profissionais rejeitam essas alternativas uma vez que, em nossa cultura,ter um auxiliar nos confere um certo status dentro das organizações. O “Nobre vive nos palácios”, mas a Engenharia se faz na produção, por isso devemos acompanhar os trabalhos onde eles estão sendo realizados, é preciso ver, acompanhar e estar junto de sua equipe.

O Engenheiro Líder deve ir em campo deve conhecer as pessoas os equipamentos a Engenharia é a virtude da teoria e na prática.

“Desde a época dos primeiros escritos sobre engenharia na Grécia antiga, era reconhecido que a engenharia difere da ciência por consistir de dois tipos de conhecimento: um lado teórico ou científico que pode ser escrito, e um lado prático que só pode ser aprendido fazendo.” Bill Addis – 3000 anos de Projeto, Engenharia e Construção


3.1.3 – Vaidade Prolixa

“A verdade é que, embora presumindo o contrário, dedicamos, de modo geral, pouca estima às especulações intelectuais – mas amor à frase sonora, ao verbo espontâneo e abundante, à erudição ostentosa, à expressão rara. É que para bem corresponder ao papel que, mesmo sem o saber, lhe conferimos, inteligência há de ser ornamento e prenda não instrumento de conhecimento e ação.” Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil (1902 – 1982)

Temos a tendência de gastar nossos esforços em infindáveis reuniões, treinamentos, apresentações e encontros que muitas vezes não são traduzidos em planejamento ou estudos práticos e sim em uma necessidade de expressão do líder que busca se firmar através da exposição do seu conhecimento ou ostentação de sua posição.


3.1.4 – Jeitinho

Como perdemos muito tempo na ostentação não temos tempo para primeiro planejar e depois colocar em prática, assim não conseguimos antever as necessidades. Como não planejamos surge outro aspecto cultural o “O Jeitinho”, devido a burocracia e falhas de planejamento não temos os recursos necessários para execução o que nos leva a improvisar e isso acarreta um maior tempo de execução, baixa qualidade e retrabalhos.


Então no aspecto cultural nossa improdutividade se apresenta da seguinte maneira:

Sistema Burocrático
Líder Ausente
Vaidade Prolixa
Jeitinho
Devido a busca da satisfação individual cada departamento procura por seus resultados criando metodologias que atendem as suas necessidades individuais, impedindo assim que a organização alcance seus objetivos.
Os Engenheiros se ausentam do acompanhamento operacional e a equipe acaba desmotivada, quando surgem os problemas estes demoram a serem resolvidos devido a distancia entre a equipe e o líder.
Perde-se tempo na apresentação e discussão de temas irrelevantes ou que devem ser tratados de forma prática. Estas discussões e apresentações tem como objetivo a satisfação pessoal do apresentador.
O processo burocrático trava a produção, e ainda há o desperdício de tempo com vaidades e não há um planejamento pleno, por isso na execução existe a necessidade de improvisar o que leva a baixa qualidade, retrabalhos e acidentes.

Cabe a nós Líderes Engenheiros, combater a cultura da baixa produtividade disseminando as ideias e sendo o exemplo.

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Informações sobre o Autor da Postagem

Luís Salatiel - Postado em 31/08/2015 Comentar

Luís Salatiel é um especialista em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching. Se lançou na vida profissional como Ajudante de Mecânico industrial, em seguida atuou como Mecânico de Manutenção e então se formou como Projetista de Máquinas pela Pro-tec SP. Trabalhou como Desenhista e Projetista, em pouco tempo se tornou líder de equipes de manutenção e montagens. Mais tarde obteve a graduação no curso de Engenharia Mecânica pela PUC-BH e assumiu obras de médio e grande porte. Possui MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas e Certificação em Inspeção de Equipamentos e Soldagem. Atualmente realiza trabalhos como Professor de Gerenciamento da Manutenção e Gestão de Projetos realizando consultoria, palestra e treinamentos. Autor dos Livros “Gestão de Serviços Terceirizados” (2012) e “Engenharia – Liderança e Produtividade” (2015).

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